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Acumular de pó

Maio 26, 2007

Este blog tem estado como o meu cérebro: parado e a acumular pó. Como acontece por vezes, há períodos de recolhimento necessários para um outro regresso, de dar um passo atrás para poder dar dois à frente. Acredito que em breve isto irá acontecer e que também trará novidades a este canto perdido no mundo eléctrico de baixa voltagem.

Até breve.

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Aluga-se sótão!

Março 2, 2007

Como é que se faz quando o cérebro pára mas continuamos a respirar. Se estivesse a falar de carros e em inglês (em português soa mal), como é que se faz um jump start à massa cinzenta?

Quem tiver boas ideias, que não passem por químicos nem cultos do oculto, por favor partilhe. Agora vou descansar que estou exausto de tanta actividade neurológica.

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“Só se perdem as que caem no chão”

Fevereiro 26, 2007

Hoje, se me perguntassem o que queria ser quando crescesse, responderia sem hesitação que gostaria de não ter que crescer mais. Tenho saudades de mim quando era criança, com quase nada mas sempre cheio de vontade para tudo. Sinto falta da inocência, da alegria espontânea, da curiosidade constante, da capacidade de encarar qualquer coisa como apenas mais uma que ia certamente superar.

É verdade que o acto de crescer vai levando todas estas coisas para o lugar da memória. Como é que se compensa toda esta perda? Ajudando os que crescem num mundo ainda mais cínico e egoísta a viver essas experiências e a não as deixar escapar sob nenhum pretexto. Na verdade, o que se perde mesmo é aquilo que não se vive.

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Novos caminhos da felicidade?

Fevereiro 25, 2007

Hoje ocorreu-me uma nova definição de felicidade: acontece quando apenas se pensa no que se vai fazer a seguir, sem estar preocupado com o que se fez antes.

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A minha cidade está cheia de buracos

Fevereiro 24, 2007

Um destes dias dei por mim no meu carro, não a ouvir a música da rádio nem a pensar qual o caminho que me levou ao ponto onde estava naquele momento, mas a pensar na grande metrópole sul americana de São Paulo. Há muita gente que diz que não gosta de São Paulo. Não é uma cidade fácil, concedo. Há mesmo quem diga que é uma cidade perigosa. As histórias na primeira pessoa que lá ouvi dão que pensar. Há quem diga que é uma cidade caótica. Sim, sendo uma das 5 maiores aglomerações humanas do planeta, não é difícil que assim seja. Há mesmo quem diga tudo isto e ainda muito mais e pior mesmo sem nunca ter estado no continente em que se situa. O que se há-de fazer? Vivemos num país em que muitos conhecem o Brasil pelo que os telejornais apresentam e os outros, por terem comprado um pacote de férias de 7 dias a preço de saldo para o nordeste.

Mas este não é um post sobre o Brasil nem sobre São Paulo, onde já fui muito feliz durante algum tempo. É sobre a minha cidade, sobre Lisboa, onde moro há mais de 20 anos e que sinto como o único lugar do mundo de que alguma vez poderei dizer, sentindo, “sou daqui“. Ao contrário da percepção comum, que tende a eleger alguns dos aspectos que mencionei acima como os mais negativos de São Paulo ou do Brasil como um todo, aquilo que verdadeiramente não gostei na cidade durante o tempo que lá morei foram os buracos nas ruas. Em todas as ruas. Era, curiosamente, uma coisa que me fazia sentir saudades da minha cidade com maior intensidade.

Mas analisando as coisas friamente, trata-se de uma cidade onde habitam mais de 10 milhões de habitantes, ou seja, toda a população portuguesa, que é responsável por quase metade da produção de riqueza do país, onde circula muito trânsito pesado de mercadorias e ainda mais trânsito ligeiro. Se verificarmos o estado das estradas, como um todo, em Portugal, não ficaremos a ganhar por muito. Apesar das auto-estradas para o norte e para o Algarve, que servem de medida aos que pensam que o país fora de Lisboa é mesmo só isso, a verdade é que as estradas do nosso interior são, genericamente, de fraca qualidade e deficitárias de manutenção.

Mas Lisboa não, Lisboa não era assim. Não nos gloriosos anos 1990, quando foram feitos grandes investimentos na repavimentação das ruas e no embelezamento da cidade. Em Lisboa conseguia-se andar quilómetros a fio sem correr o risco de partir uma roda, rasgar completamente um pneu ou bater com o fundo do carro na estrada. Agora voltou tudo ao que era ou talvez pior, de tal forma que já não me dá prazer nenhum sair de carro à noite para ir, simplesmente, dar uma volta pela cidade. Agora, quando saio de carro pelas ruas da minha cidade, lembro-me de outra cidade e daquilo que menos gostava nela: os seus políticos e os seus buracos, passe a redundância.

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E se depois não chega para a OTA…? Fora com os estagiários!

Fevereiro 15, 2007

Agora que as eleições de melhores portugueses e de piores portugueses e de portugueses assim-assim estão na moda, aqui fica mais uma pérola do verdadeiro portuguesismo: mau governo e mau jornalismo, só mau governo, jornalismo rápido, nacional miserabilismo. Como escreve a outra, “Sei lá!”

O que sei é que em 10 anos de carreira, os meus empregadores juntos nunca gastaram 11000€ em formação comigo (sim, é fazer as contas, 30milhões a dividir por 3000, números redondos, claro).

Também sei que, de acordo com este e os outros governos todos, as coisas há um ano, quando contrataram os estagiários, estavam piores do que agora. Então porque é que se investiu em tanta formação para mandar para o caixote do lixo? Será que as coisas pioraram no último ano em termos de finanças públicas e agora é que deram por ela?

E já agora, alguém que no espaço de um ano recebe 11000€ em formação que, convenhamos, não devem deixar muito tempo para realmente produzir, deveria ter direito a subsídio de desemprego porquê? Os estagiários que arriscam em empresas privadas, que são explorados, tratados como escravos, sem direito a qualquer tipo de formação que não seja em executar as tarefas que mais ninguém quer, têem direito a alguma coisa?

Mas contas de merceeiro à parte, qual é a estratégia?

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Rocky Balboa

Fevereiro 10, 2007

Porque é que a nossa opinião sobre nós próprios é mais importante do que a dos outros? Porque é que o mais importante não é iludir os socos que a vida nos dá, mas sim ser capaz de nos levantarmos com mais vontade após cada um? Porque só há uma vida, que se não for vivida com alegria, motivação e auto-estima, não será mais do que um soco em grande plano e em câmara lenta.

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E hoje, foste um bom robot?

Fevereiro 2, 2007

Ontem fui uma desculpa para o que os outros consideram que sou. Hoje sou uma coisa azul pequena, só. Amanhã é sábado e vou aproveitar para descansar. Mas não muito, porque é necessário continuar a praticar a rotina, a dançar ao som da música do elevador. Pelo menos não consigo imaginar a alternativa a esta necessidade.

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O óptimo é inimigo do bom

Janeiro 21, 2007

Marcelo, o Professor, é realmente um génio brilhante. Acaba de apresentar ao vivo e a cores aquel que considero ser o mais brilhante argumento já usado pelos apoiantes do “Não” no referendo da IVG.

Segundo Marcelo, o voto “Não” justifica-se porque ele é contra a penalização das mulheres por interromperem uma gravidez antes das 10 semanas, às 10 semanas e um dia, aos 3 meses, aos 7 meses. Segundo o eminente Professor, ou lhe dão tudo, ou então que se lixem as mulheres, que fique tudo na mesma. É prisão com elas.

Palmas Professor, brilhante, genial! Uma lâmpada na escuridão. Fundida, como de certo muitas a verão.

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Menos tempo a sonhar, mais tempo a viver

Janeiro 9, 2007

O ano que agora começou (pensem Porto há uns anos atrás) até começou bem: duas ou três boas notícias a nível profissional e um possibilidade deliciosa a nível pessoal. Mas, passados que estão pouco mais de 9 dias (agora já usando como referencial a data comum para a passagem de ano) e já tudo foi “des-noticiado”.

2007 começa bem portanto, sem engodos, sem falsas expectativas, que duram sempre o tempo suficiente para se tornarem numa espécie de frustração ou desilusão ou outra qualquer versão de falta de vontade de sorrir, mesmo que por breves instantes. Aí está a primeira grande notícia, confirmada, do ano novo.