Ainda não há resultados, mas fico tranquilo por não haver notícias de tornozelos torcidos ou luxações nas costas, ossos dos pés partidos, nada disso. Há sim a registar, alguns feridos graves em dois acidentes com motards no Algarve. Apesar da tentação de culpar o “grande salto mundial“, há que considerar como altamente provável a contribuição que uma concentração de mais de 30000 destes indivíduos possa ter nestes acontecimentos lamentáveis.
Diz no site oficial do evento que os resultados serão agora calculados e apresentados dentro de alguns dias. Mas perdoem-me se estou um pouco desconfiado e se acho que esta coisa terá provocado, isso sim, alguns efeitos colaterais que passarão despercebidos aos mais distraídos. Senão reparem: a bolsa de valores de Lisboa, que já desde o início da semana andava no vermelho, com pouquíssimos títulos a subir e esses mesmo, muito pouco, hoje estava que parecia o estádio de Alvalade em dia de Sporting-Vitória de Setúbal; as bolsas europeiras e japonesa, que também alinharam toda a semana pelo rival Benfica, passaram também tardia mas inteligentemente, para outro lado da segunda circular. Mas mais uma vez, agora que coloco isto por escrito e pela consequente redução da velocidade o consigo compreender melhor, sou obrigado a reconhecer que esta queda no início da semana nas bolsas talvez se deva aos acontecimentos do médio oriente, no Líbano mais concretamente, sendo a subida hoje registada o início da chamada “correcção das perdas”, usando a linguagem técnica que costumo ouvir nos boletins da especialidade. Mais um tiro ao lado.
Mas insisto, procuro melhor, adopto uma abordagem mais holística na análise. E é aqui que começam a surgir os relatos de acontecimentos mais estranhos e estes sim, inexplicáveis a luz de outra coisa que não seja o desalinhamento imprevisto da órbita terrestre causado pelo grande salto colectivo. A saber: a FIFA pune Zidane com 3 jogos três, de suspensão em consequência do seu acto tresloucado na final do campeonato do mundo de futebol; a Federação de Futebol Italiana vai ter como presidente, pela primeira vez na sua história, uma mulher, de 43 anos de idade, uma gaiata praticamente; Valentim Loureiro não se recandidata à presidência da Liga Portuguesa de Futebol; A EDP, empresa monopolista do fornecimento de energia eléctrica cá do burgo, que cobra em Janeiro aquilo que acha que o consumidor vai gastar em Julho, com base nos seus consumos do pior ano, admite começar a fazer promoções em Setembro, altura em que será, finalmente, liberalizado o mercado de fornecimento de energia, para fazer face à concorrência; a última build do Windows Vista (novo sistema operativo da Microsoft) está a fazer grandes progressos, segundo alguns analistas; e a última, porque já me parecem exemplos suficientes para ficar em… sobre-salto, o preço do petróleo baixou em Londres, mas subiu em Nova Iorque, onde a bolsa também fechou em queda, ou melhor, em “contra-ciclo com as suas congéneres europeias” (mais um termo técnico).
Isto é muito simples: um salto, 600 milhões de terráqueos, a terra muda ligeiramente de órbita, problema do aquecimento global resolvido! Mas parece-me que foi muito mal planeado e os meus piores medos parecem ter-se confirmado: o que aconteceria se fossem 800 milhões? 1,2 mil milhões? 5 mil milhões? E a sua distribuição geográfica, mais americanos e mexicanos a saltar do que chineses, ou vice-versa, não poderia ter efeitos estranhos, causar desiquilíbrios a toda a harmonia em que vivemos? Aguém pensou nestes detalhes? Já estou a imaginar, sei lá, de repente alguém lembrar-se de atribuir o aumento da criminalidade urbana ao dito salto. Mas quanto a isso, desde já vos tranquilizo: a culpa não é do salto, é do iPod.