Arquivo de Julho, 2006

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Do tempo e da memória

Julho 31, 2006

Este fim de semana, de visita ao interior, geralmente chamado de país real pelos que vivem no outro e querem fazer-se de entendidos, tive uma experiência admirável. A ocasião da reunião de família foi um simples baptizado. E digo simples, porque foi assim mesmo, sem aparatos desnecessário, sem pretensões novo-riquistas, apenas uma celebração no seio de uma família grande, de gente que trabalha nos mais diversos ramos de actividade, desde fábricas, escolas, escritórios entre outras. De gente simples como eu, o que não é de todo para espantar, porque uma boa parte desta gente é a minha família.

O contacto frequente foi há muito abandonado, por imposição da vida que nos foi separando geograficamente e, mais do que gostaria de admitir, também emocionalmente. O contacto na cada vez menos frequente visita de fim de semana também não dá espaço a muita coisa. É uma pena que assim seja, mas a verdade é que assim é.

Mas descobre-se que não há motivo para dramas, porque o essencial fica. A partilha da mesma origem, das mesmas brincadeiras de criança, das incidências da vida de cada um, das zangas, dos antigos almoços de domingo com as várias gerações à mesa a partilhar o passado, essa essência permanece. Sobrevive a vidas separadas, com rumos diferentes, vidas a que por vezes se perde o sentido. E foi esta a experiência admirável do meu fim de semana: um regresso, proporcionado por pessoas como eu, mesmo que no quotidiano e quando penso nelas, me sinta distante. A verdade é que é muito bom voltar ao que fui. Faz com que regressar ao que sou e aqueles com quem convivo diariamente tenha um sabor ainda mais especial. Faz-me entender que o que fui e o que sou é uma coisa só, apenas distribuída pelo tempo e pela memória, e que vale a pena avivar sempre que possível.

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A culpa é dos macacos

Julho 28, 2006

Hoje fui avisado pelo painel de controlo do meu blog que havia uma referência a um dos meus posts. Fiquei muito surpreendido por saber que alguém andava a ler o que escrevo e mais surpreendido ainda por terem comentardo esses escritos.

Fui ver e fiquei indignado. Verdadeiramente indignado. Não com o jovem Malak, que não tem culpa nenhuma. Mas com o nosso sistema de ensino. Como é possível, que já no século XXI (lê-se 21!), existam jovens de 18 anos, em idade de acabar a escolaridade obrigatória portanto, com tão medíocre capacidade de interpretação de textos?

É com grande tristeza que tenho assistido nos últimos 20 anos, à queda vertiginosa da qualidade do nosso sistema de ensino, com sucessivos governos e sucessivas reformas e restruturações a acumularem resultados cada vez mais catastróficos. Numa altura em que o que o nosso país precisa de inovação, precisa de capacidade de diferenciação, o que temos é a falta de qualidade consequente de décadas de desinvestimento sistemático no nosso bem mais precioso: a educação.

Por alturas do ciclo preparatório, agora 5º e 6º anos, tive um professor de matemática que dizia a coisa mais estranha que me lembro ter ouvido até essa altura: a grande dificuldade que os alunos demonstram na matemática tem a ver simplesmente com o facto de não entenderem português. Não é de facto possível resolver problemas que não se percebem.

Apesar deste post não ser dedicado ao jovem Malak, gostaria, ainda assim, de aproveitar para deixar uma sugestão: que o tempo que dedicado aos jogos electrónicos seja dividido (e não substituído, porque os jogos também são mecanismos de aprendizagem) com a leitura de livros, artigos de actualidade e até mesmo sítios informativos na internet. Desta forma podem aprender-se coisas tão importantes como o facto de o aquecimento global não se poder resolver com um salto colectivo,  ou que único presidente americano a ter até hoje confessado uma mentira foi Bill Clinton quando disse que afinal tinha tido relações sexuais com a Mónica, que a grande maioria dos produtos que dizem “made in china” ou “made in indonesia” são feitos por mão de obra barata, explorada e sem o mínimo de condições, mesmo quando a marca não é amerciana, etc, e outras, menos importantes, mas igualmente relevantes quando se pretende chamar os outros de incultos, como, por exemplo, que a Adidas e a Reebok (agora do mesmo “dono”) são marcas europeias.

Ainda é possível aprender, é sempre possível aprender.

E mais uma vez, obrigado por lerem o meu blog.

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Haja imaginação, bolas! Só se for de naftalina

Julho 27, 2006

Fica o aviso: para todos aqueles que estão a pensar (como é que há alguém que possa ter pensado numa coisa destas!) começar a sniffar bolas de naftalina, utilizadas para combater a traça, é melhor não irem por aí. Um artigo de hoje na BBC News alerta para o perigo, imagine-se, que constitui inalar os gases libertados por este artigo de uso tão corrente em todos os lares em que se guarda roupa nos armários.

É de tal maneira perigoso que mata logo não sei quantos milhões de neurónios, a avaliar pelo facto de uma das teenagers afectada ter continuado com o vício no hospital enquanto recebia tratamento e de não ter conseguido sequer estabelecer a relação entre os seus sintomas, inexplicáveis e causadores de grande confusão para os médicos, e o seu recente adquirido hábito.

Com um bocado de sorte terão morrido apenas os neurónios que se juntavam para pensar em coisas idiotas com inalar e comer bolas de naftalina.

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No Alentejo também se gosta de futebol

Julho 27, 2006

Após umas longas três semanas de agonia futebolística, eis que começam a surgir os primeiros jogos interessantes para animar a pré-época e ajudar a ressacar da overdose que constitui sempre um mundial de futebol. Hoje temos um Benfica-Sporting no Algarve a contar para o torneio do Guadiana. Mas não se pense que o jogo se vai realizar nessa mítica obra que é o estadio do Algarve. Não, vai ser em Vila Real de Santo António, até porque o torneio é, como já referi, o do Guadiana e não o de Faro-Olhão.

O estadio doa Algarve, ou Faro-Olhão, foi construído para o grande evento que foi o Euro2004, de organização nacional. Um estádio construído para receber dois jogos e numa região onde não joga qualquer equipa dos escalões maiores do nosso futebol. Apesar, do ponto de vista de distribuição geográfica, de fazer sentido a existência de um estádio no sul do país, deveria ter sido contemplada também a sua rendibilização futura. Mas nós por cá não olhamos a meios quando se trata de organizar grandes eventos. E o pior é que até achamos que estamos a ficar bons nisso depois dos “sucessos” que foram a Expo98 e o Euro2004. E digo que achamos porque, como é do conhecimento público, foram eventos que tendo, sem dúvida, por um lado trazido projecção internacional, bastantes turístas e respectivos euros e dólares, por outro lado, custaram muito mais do que foi inicialmente previsto e concerteza do que seria desejável para constituirem investimentos lucrativos financeiramente.

Agora que começa a nova época futebolística e que o Mundial2006 já lá vai, e o de 2010 se vai realizar em África, devíamos começar a pensar mas era na candidatura à organização do Mundial de 2014. É só o dinheiro da promoção e de alguma tinta e retoques. Os estádios, todos os dez que foram construídos ou totalmente renovados para o Euro, concerteza que estarão aptos para receber um evento dessa envergadura e, quem sabe, talvez receber também algum do retorno financeiro que seria desejável para tão grandes investimentos. Por essa altura já o Mourinho é seleccionador “special one” nacional e a taça fica por estas bandas. Já sei o que estão a pensar, porque eu também não consigo imaginar o evento sem isto: um estádio inteiramente novo, com capacidade para 64500 pessoas construído propositadamente para o jogo da final, por exemplo, na região de Beja. Poderia chamar-se Estádio do Alqueva! Mas uma coisa destas, onde Portugal se sagraria campeão do mundo tinha que ter pelo menos lugar para cem mil pessoas. Tenha também já a solução para isto e para contornar o facto público de que não pode haver no país nenhum estádio maior que o Estádio da Luz, vulgarmente conhecido como “A Catedral”. Chamar-se-ia Estádio da Luz-Alqueva! Tinha a grandeza necessária para  a realização da festa, não ofendia seis milhões de benfiquistas (números “oficiais”) e seria uma singela homenagem à aldeia que teve que ser deslocada devido à construção da barragem. E para os que estão a pensar “então e a história da viabilização económica e derivados?”,só há uma resposta: uma sinergia factores moralizadores como estes, não se pode medir em euros.

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Ajustar o referencial

Julho 25, 2006

Do dia que transitou há pouco para o passado, não há grande memória a reter. Foi repetição de outros tantos que já passaram e talvez de alguns mais que hão-de vir. Não há lamentações, apenas constatações.

Uma série de coisas feitas à pressa, daquelas que têm que ser feitas e terão que continuar a ser, cada vez mais, para garantir uma suave transição dos dias. Umas outras quantas que se vão ainda podendo fazer à velocidade da caneta e do papel, extraindo delas os últimos pequenos prazeres, na perfeita consciência de que ainda são possíveis porque de alguma forma se enganou o tempo, aceitando ser por ele também um pouco enganado. Para terminar, a presença da beleza tangível mas porventura inatingível.

Amanhã, já daqui a pouco, recomeça tudo de novo e quem sabe não faço encurtar as distâncias.

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Heróis da acção linguística

Julho 24, 2006

Diz a senhora atenta e vigilante, preocupada com a segurança do seu próximo, imediatamente após a porta do autocarro se fechar, na paragem do aeroporto:
- “O senhor não viu?!?? Esse meliante que acabou de sair do autocarro meteu-lhe a mão no bolso de trás mesmo antes de sair. Não sentiu nada? Olhe que é capaz de lhe ter roubado a carteira…”
- “Não, nem senti nada. Mas também, não levava nada neste bolso e a carteira tenho-a aqui, no bolso de dentro! Mas a senhora viu ele a meter a mão no meu bolso?”
- “Vi sim senhor! Estes bandidos, ladrões. Isto nesta carreira é uma desgraça, nunca se pode estar descansada porque andam sempre aqui a farejar os mais distraídos.”
Já parados no começo da Av. do Brasil, uma outra senhora, também atenta e preocupada com a segurança da primeira, mas num tom baixo para não chamar a atenção:
- “A senhora tenha cuidado, olhe que pode haver mais por aí e depois vingam-se na senhora.”
- “Ora essa, eu não tenho medo nenhum que me oiçam! Estou a falar verdade. E mais, não tenho medo nenhum porque se algum me tentar roubar, leva troco.”
E a conversa foi seguindo animada em repetições várias sobre os mesmos refrões, e numa busca constante de novos interlocutores, mais ou menos até Entrecampos:
- “Pois, mas olhe que podem andar armados!”
- “Armados? Se se meterem comigo hei-de gritar até alguém me ajudar, e entretanto vai levando porrada… E se vier com faca leva na mesma. É por se calarem as pessoas que eles fazem o que querem, andam por aí à vontade, a roubar quem lhes apetece!! Não senhora, a mim ninguém me cala.”

O que foi inteira e dolorosamente verdade, a senhora não se calou pelo menos até Entrecampos. Não se calou desde que verificou o fecho da porta do autocarro atrás do safado meliante raptor de carteiras, garantindo assim a sua segurança… a dele claro, porque se ela o apanhasse, ai se ela o apanhasse!

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Escalada e separação

Julho 23, 2006

Fazer coisas com o outro porque o outro gosta, mesmo que não se goste. Querer fazer essas coisas. Sem manter a contabilidade, porque manter a contabilidade servirá apenas para apresentá-la algum dia, no pior momento. E é nesse momento que se percebe que acabou. Não se percebeu em todos os outros pelo meio em que os indícios gritam para ser vistos. Não se percebeu quando se continuou a fazer coisas por obrigação, por sentido de responsabilidade ou simplesmente para demonstar que ainda se está disponível, só à espera que o outro se aperceba.

O que interessa, no fim, é partir mais forte e isso passa por não ter feito nada que possa ser irreversível de uma forma negativa, de uma forma que envorgonhe ou embarace. Deve haver alguma forma de se perceberem estas coisas quando se começam. Ou então não há, mas deveria haver. Ou então não, porque devem ser vividas e usadas como forma de apredizagem, livro de ensinamentos sobre a vida.

Comunicar é fundamental, não para mostar o que se quer mas para perceber o que querem de nós. É esta a única e última responsabilidade de quem pretende contrariar a natureza humana e transformar dois mundos completamente diferentes num só. Porque é muito fácil acontecer, mas ao contrário do que pretendia.

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Aproximadamente 25,807

Julho 22, 2006

A minha atenção foi desviada da tarefa importante que me tinha incumbido de levar a cabo neste dia quente de sábado, para um artigo na Wikipedia sobre um documentário da autoria do Professor Richard Dawkins e a que foi dado o título televisivo de “A Raíz de todo o Mal“. E não é de espantar que tenha ficado chocado que pessoas tão inteligentes e científicas continuem a encontrar explicações tão prosaicas para as razões que levam seres humanos a terem comportamentos maus, “demoníacos” mesmo.

É verdade que o documentário se concentra na religião católica, não sei se por alguma razão em particular, mas, mesmo tendo-lhe sido sujeito, não o considero relevante para a discussão em causa. Fala-se em educação sectária, traumas causados por imagens assustadoras usadas pelo educadores, de toda a loucura da moralidade bíblica do antigo e do novo testamento. Mas a minha preferida é a moralidade secular e o papel disruptivo que a religião introduz na moralidade inerente à evolução biológica, à moralidade primordial existente, por exemplo entre os chimpanzés. Confesso a minha confusão e ignorância sobre todos estes temas, mas é-me difícil compreender que nos consideremos “racionais” e “civilizados” e encontremos as bases da nossa racionalidade e moralidade nesses outros seres, claramente inferiores (segundo nós, é claro).

Mas no fim das contas, é a isto que tudo se resume, não é uma questão de religião, de simpatia clubística, orientação sexual, afiliação política ou tipo alimentação mas sim, da imensa presunção que o ser humano foi adquirindo ao longo da evolução de que está acima de tudo, da natureza, dos animais e de tudo o resto que possa existir e que não demonstre o mesmo nível de inteligência ou racionalidade. Não devemos confundir as coisas com o que fazemos em nome delas. Pensemos por um instante para a raíz de quantos males contribui a ciência, a matemática, a física. Não, não faz sentido.

Concordo com o que li num livro de Alfredo Saramago, que diz que a religião, palavra oriunda do grego religio pode ser definida como a relação do Homem com o oculto e nisto de relações, cada um escolhe a que pretende ter e a intensidade com que as vai mantendo. Talvez os ateus não precisem desse tipo de relação. Talvez os fundamentalistas não consigam viver sem ela de forma intensa. Quando era criança ensinaram-me sobre Adão e Eva, o Paraíso e o pecado original, e até certa altura, parecia-me um bom ponto de partida. Mas depois ouvi falar do Darwin e das suas observações e teorias e isso fazia mais sentido. Isto fez mudar a minha relação com o oculto, ou seja, mudou a minha forma de ser religioso. E assim continua até hoje, numa evolução constante esta minha relação com o que não entendo.

Se tivesse hoje que definir a raíz do mal diria, sem grandes hesitações, mas com algum arredondamento, que será aproximadamente 25,81.

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Ruído de fundo

Julho 22, 2006

Tenho conseguido arranjar um conjunto significativo de distracções para me manter motivado para as coisas que são importantes para o futuro e esquecido das que me deixaram recordações menos boas no passado. Infelizmente, há dias em não é de todo possível fingir, e fugir da pequena neblina longínqua antes que se transforme numa nuvem negra pronta a descarregar toda a sua carga em fúria mesmo em cima de mim.

Há uns anos atrás, num país distante à espera do regresso a casa, disse a alguém que a felicidade era não pensar nela. Foi uma ideia interessante e que fazia todo o sentido no contexto. Mas tenho vindo a ser visitado por alguns pensamentos fantasma e por isso, resolvi hoje, que para manter os olhos no caminho tenho que reformular: não sei o que é a felicidade, mas vou pensar nela e estar atento e vou fazer questão de aproveitar o que me for dado. Por muito breve que seja, não deve ser encarado como um começo, mas sim como algo que vale por si e pode não se repetir.

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O salto, a bolsa e os iPod

Julho 20, 2006

Ainda não há resultados, mas fico tranquilo por não haver notícias de tornozelos torcidos ou luxações nas costas, ossos dos pés partidos, nada disso. Há sim a registar, alguns feridos graves em dois acidentes com motards no Algarve. Apesar da tentação de culpar o “grande salto mundial“, há que considerar como altamente provável a contribuição que uma concentração de mais de 30000 destes indivíduos possa ter nestes acontecimentos lamentáveis.

Diz no site oficial do evento que os resultados serão agora calculados e apresentados dentro de alguns dias. Mas perdoem-me se estou um pouco desconfiado e se acho que esta coisa terá provocado, isso sim, alguns efeitos colaterais que passarão despercebidos aos mais distraídos. Senão reparem: a bolsa de valores de Lisboa, que já desde o início da semana andava no vermelho, com pouquíssimos títulos a subir e esses mesmo, muito pouco, hoje estava que parecia o estádio de Alvalade em dia de Sporting-Vitória de Setúbal; as bolsas europeiras e japonesa, que também alinharam toda a semana pelo rival Benfica, passaram também tardia mas inteligentemente, para outro lado da segunda circular. Mas mais uma vez, agora que coloco isto por escrito e pela consequente redução da velocidade o consigo compreender melhor, sou obrigado a reconhecer que esta queda no início da semana nas bolsas talvez se deva aos acontecimentos do médio oriente, no Líbano mais concretamente, sendo a subida hoje registada o início da chamada “correcção das perdas”, usando a linguagem técnica que costumo ouvir nos boletins da especialidade. Mais um tiro ao lado.

Mas insisto, procuro melhor, adopto uma abordagem mais holística na análise. E é aqui que começam a surgir os relatos de acontecimentos mais estranhos e estes sim, inexplicáveis a luz de outra coisa que não seja o desalinhamento imprevisto da órbita terrestre causado pelo grande salto colectivo. A saber: a FIFA pune Zidane com 3 jogos três, de suspensão em consequência do seu acto tresloucado na final do campeonato do mundo de futebol; a Federação de Futebol Italiana vai ter como presidente, pela primeira vez na sua história, uma mulher, de 43 anos de idade, uma gaiata praticamente; Valentim Loureiro não se recandidata à presidência da Liga Portuguesa de Futebol; A EDP, empresa monopolista do fornecimento de energia eléctrica cá do burgo, que cobra em Janeiro aquilo que acha que o consumidor vai gastar em Julho, com base nos seus consumos do pior ano, admite começar a fazer promoções em Setembro, altura em que será, finalmente, liberalizado o mercado de fornecimento de energia, para fazer face à concorrência; a última build do Windows Vista (novo sistema operativo da Microsoft) está a fazer grandes progressos, segundo alguns analistas; e a última, porque já me parecem exemplos suficientes para ficar em… sobre-salto, o preço do petróleo baixou em Londres, mas subiu em Nova Iorque, onde a bolsa também fechou em queda, ou melhor, em “contra-ciclo com as suas congéneres europeias” (mais um termo técnico).

Isto é muito simples: um salto, 600 milhões de terráqueos, a terra muda ligeiramente de órbita, problema do aquecimento global resolvido! Mas parece-me que foi muito mal planeado e os meus piores medos parecem ter-se confirmado: o que aconteceria se fossem 800 milhões? 1,2 mil milhões? 5 mil milhões? E a sua distribuição geográfica, mais americanos e mexicanos a saltar do que chineses, ou vice-versa, não poderia ter efeitos estranhos, causar desiquilíbrios a toda a harmonia em que vivemos? Aguém pensou nestes detalhes? Já estou a imaginar, sei lá, de repente alguém lembrar-se de atribuir o aumento da criminalidade urbana ao dito salto. Mas quanto a isso, desde já vos tranquilizo: a culpa não é do salto, é do iPod.