Arquivo de Agosto, 2006

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Beligerância climática preemptiva

Agosto 31, 2006

Lembrei-me do tempo em que se ouvia com bastante frequência nos noticiários a palavra “beligerante”. Senti saudades, não da beligerância, que não era maior noutros tempos que é agora, mas do jornalismo que ensinava termos como este.

E na sequência deste saudosismo irrelevante, ocorreu-me, a ler as notícias mais recentes sobre os furações/tornados/tempestades que começam a assolar os lugares do costume, que nunca se irà enfrentar o problema das alterações climáticas que estão concerteza a causá-las(os), a dar-lhes nomes comuns de homens e mulheres. Eu lá vou agora combater as causas de uma coisa chamada Ernesto ou El Niño, ou Margarida? Claro que não. Como as pessoas comuns, vizinhos, colegas de trabalho com esses e outros nomes, a natureza também tem direito a humores, que devemos aguentar com grande estoicismo e enquanto esperamos que passem.

A única forma de as grandes potências ocidentais enfrentarem o problema das alterações climáticas e acabarem de vez com as suas causas antes que as consequências acabem connosco, é introduzir o factor “beligerante” no assunto. Eu explico.
Sem beliscar os princípios de atribuição de nomes instituído desde o século passado, mas adicionando uma sétima lista, proponho, a título de exemplo, as seguintes alterações:

  • de Ernesto para Bin-Laden (este teria um efeito psicológico de bónus… já estão a imaginar os americanos a dizerem finalmente, “we’ve got him“, mesmo que se estivessem a referir apenas ao furacão);
  • de Andrew para Saddam Hussein (Andrew foi o furacão que mais caro custou aos EUA e, por isso, o seu nome foi retirado dos nomes de furacões);
  • de Katrina para al-Qaeda;
  • de El Niño para Ahmadinejad;
  • de Victor para Kim Jong-Il;
  • etc, etc.

Estariam assim, finalmente, reunidas as condições para uma guerra preemptiva generalizada às causas das alterações climáticas e às suas previsivelmentes dramáticas consequências para todos nós enquanto espécie. É só uma ideia para a reentré política.

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Felicidade: os momentos do fim

Agosto 31, 2006

Há momentos, de maior ou menor duração, em que tudo parece certo, os acontecimentos adquirem uma fluidez que é a correcta, tudo joga a favor daquilo que se espera.

É um pouco como a última semana de uma qualquer novela à boa maneira antiga: quando todosos problemas desaparecem, a justiça acontece, os bons são recompensados por todo o sofrimento, os maus castigados na medida dos seus crimes, vai-se assistindo a momentos em que se percebe que são os os últimos de um determinado personagem dentro da história, para tudo culminar numa enorme alegria, geralmente, em torno do personagem principal.

Talvez na vida estes momentos não surjam com a mesma frequência com que as novelas se sucedem. Talvez seja nestes momentos que aquela frase típica, quase justificativa, de que a novela imita a vida, se verifica com maior evidência.

Independentemente de todas estas especulações e devaneios, vem isto a propósito de uma passagem marcante do filme The Hours em que a personagem de Merryl Streep explica à filha (Scarlett Johanson) o que é afinal, a felicidade:

Tell me the moment  you were happiest.

I know! I know, it was years ago.

Yeah.

All you're saying is...

you were once young.

I remember one morning...

getting up at dawn...

there was such a sense of possibility!

You know? That feeling?

And...and I remember  thinking to myself:

"So this is the beginning  of happiness..."

"This is where it starts!"

"And, of course,  there'll always be more."

Never occurred to me

it wasn't the beginning,

It was happiness.

It was the moment...

Verdadeiras raridades perdidas, ou encontradas, no tempo de um momento.

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Enorme Enciclopédia sobre o Feminino IV

Agosto 30, 2006

Ao contrário do que afirmei na primeira instalação desta série, as mulheres não querem sempre mais. Há pelo menos uma excepção: dimensões da roupa interior.

O Verão está quase a acabar, mas ainda está suficientemente quente para não reparar nestas coisas. Só mesmo olhando para o ar e assobiando é que se consegue evitar. Éuma especulação que me parece plausível porque, confesso, não tenho tentado.

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Voo 93: crer para ver

Agosto 28, 2006

Este fim de semana não pude deixar de ver o filme United 93. O filme pretende ser uma reconstituição dos acontecimentos da fatídica manhã de Setembro e, em particular, do voo que supostamente conseguiu impedir, pelo heroísmo dos seus passageiros, que mais um alvo fosse atingido.

Toda a gente conhece as versões oficiais, todos viram as imagens na televisão vezes sem conta. Todos sabemos que foi a al-Qaeda, apesar de muitos de nós, pouco atentos à realidade geo-política da época, não possuirmos nenhuma memória prévia desse nome ou do que representava.

Também ficámos convencidos com as argumentações, acompanhadas de animações de computador, dos especialistas em engenharia que explicam o colapso das torres gémeas em tão pouco tempo, e em resultado de incêndios e explosões, apesar de serem os primeiras construções baseadas em armação de aço a sofrerem tal destino em toda a história se excluirmos demolições ou fortíssimos tremores de terra.

Explicados estes pontos de forma mais ou menos aceitável e atirando “fundamentalismo islâmico” a tudo o resto que pudesse oferecer dúvidas, foi possível começar, passados os anos, começar a lidar de forma razoavelmente confortável com acontecimentos desta dimensão e com outros que lhe sucederam que, embora menores em escala, não o são em efeito surpreendente.

No entanto, a esta distância e com a ajuda de filmes como o United 93 (Voo 93 em Portugal), é possível olhar para as coisas de forma mais crítica e mais fria. O filme deixou-me uma série de dúvidas que não sabia ter até então, por pura ignorância. Há muita coisa “típica teoria da conspiração” por aí. Mas geralmente, a menos que se tenha um vulgar fascínio por esse tipo de teorias, a maior parte delas não segura a máscara por muito tempo. Há porém algumas coisas que, tal como o filme, não pretendem “forçar” a teoria da conspiração, mas sim reconstruir o que é possível com a informação oficial que existe e, isso sim, sem apelo nem agravo, plantar a dúvida sobre tudo o resto que foi sendo explicado oficialmente de forma deficitária. Algumas destas dúvidas plantadas pelo filme fizeram-me ir à procura de mais informação (aqui, aqui, etc).

Neste momento, parece-me tão credível qualquer teoria da conspiração como o facto do comando aéreo da américa do norte (NORAD), responsável pela defesa do espaço aéreo norte americano desde a costa este até Washington, dispôr apenas de 4 aviões caça para o efeito, e de estar equipado com radares do tempo da guerra fria, que a única forma de detectarem um avião comercial era… alguém dizer-lhe exactamente onde estava. Neste momento, sei muito mais sobre os acontecimentos do que até agora. Neste momento, tudo o que eu sabia está foi posto em causa.

É interessante este fenómeno da palavra escrita, das imagens e das imagens em movimento e o efeito que cada um provoca por si e em combinação com os outros. Se é verdade que muitos acreditam que uma imagem vale por mil palavras, eu acredito que uma imagem vale pouco já que se podem inventar mil histórias com base nela sem nenhuma ser verdadeira. Quando se coloca a imagem em movimento, há um efeito perverso que leva a que seja muito mais simples a aceitação colectiva da história que se quer vender.

É da mistura de todos estes ingredientes com o tempo que a verdade há-de, eventualmente, emergir.

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Verão que não cansa, verão que cansa

Agosto 27, 2006

Ainda não é oficial. Na verdade, oficialmente ainda falta um mês, mas já é hábito o Verão começar a acabar por esta altura. Não a estação do ano com esse nome, mas a atmosfera a que o associo.

Isto é particularmente notório em Lisboa, onde, a partir de amanhã, as filas nos túneis vão começar a crescer um pouco, aqueles lugares especiais sem parquímetro onde estacionei o carro nas últimas semanas, vão acabar mais cedo e em que os autocarros vão aparecer um pouco mais cheios, não permitindo a tranquilidade de uma leitura no percurso matinal até ao local de trabalho.

O trabalho vai acelerar para um ritmo próprio do que esteve quase parado durante semanas, à espera de decisões que não foram tomadas e que foram substituídas por banhos na praia ou umas imperiais na esplanada. Voltam as infindáveis reuniões para discutir de quem é a responsabilidade do atraso, se dos que ficaram que não tomaram a decisão se dos que foram por não a terem delegado.

A partir de amanhã o Verão como gosto dele começa a desaparecer. O Verão que não cansa.

A partir de amanhã Lisboa volta a encher, a recuperar os seus ritmos. Volta a faltar o espaço para a contemplação e o tempo para a reflexão. Isto não seria um problema por si só. Afinal não se pode viver em contemplação o ano inteiro. Mas ter que substituir isso por mais não sei quantas conversas sobre futebol e a arbitragem, sobre as reentrés dos partidos políticos, sobre destinos do nordeste brasileiro, de Cuba ou da República Dominicana, de gente que acha que aquele tour fora do resort os transformou repentinamente em experientes conhecedores desses lugares, acreditem em mim, verão que cansa.

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Teoria da relatividade

Agosto 24, 2006

At night there is no such thing as an ugly woman

Publius Ovidius Naso

Interessante como as coisas sábias foram todas descobertas há longuíssimos tempos atrás. Este pensamento data do início dos tempos de acordo com o calendário gregoriano, ou seja, este poeta foi contemporâneo do nascimento de Cristo.

A versão actual é um célebre e-mail, que recebo recorrentemente, com três ou quatro fotografias de uma mulher num bar vista da perspectiva de um homem. A “qualidade” da fotografia vai aumentando de acordo com o avançar das horas na legenda de cada foto.

É tudo relativo, é tudo uma questão de referencial. Quando assim não é, estamos claramente perante um caso de consumo insuficiente de àlcool.

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Vocês sabem do que estou a falar

Agosto 24, 2006

Prémio “Octávio Machado” do dia na blogosfera nacional: aqui.

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Se não for pedir muito

Agosto 23, 2006

He who does not understand your silence will probably not understand your words.”"He who does not understand your silence will probably not understand your words.

Elbert Hubbard

Aqui está algo porque vale a pena esperar ou mesmo procurar activamente, porque não. Alguém que compreenda os meus silêncios. E já agora que cconsiga também explicá-los de forma que eu entenda.

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Game Over

Agosto 21, 2006

Faz-se qualquer coisa por dinheiro. Imagine-se agora que os produtores de video-jogos acham que não estão a chegar ao público feminino como gostariam. É o que se pode ler neste artigo da BBC.

Os homens tendem a procurar nos jogos aquilo que lhes está “vedado” na vida real: violência, matar monstros horrendos em labirintos intermináveis, violência, roubar carros, disparar sobre a polícia, violência e atropelar criancinhas e idosos a atravessar nas passadeiras, entre outras coisas com… violência. Por vezes também acham divertido conduzir carros a 300Km/h em pistas preparadas para o efeito, mas isso já não tem muita piada.

Como em tudo na vida, diferentes, as mulheres procuram jogos em que se possa comunicar muito, estabelecer e construir relacionamentos. É claro que sim. Afinal é isto que procuram na vida real, porque é que nos jogos havia de ser diferente?

E a grande questão que se coloca é a seguinte: fazer jogos que as mulheres queiram realmente passar horas a jogar é uma coisa positiva ou nem por isso?

Por um lado, há a possibilidade de esgotarem toda a sua necessidade de falarem e discutirem a relação com a máquina e já não estarem interessadas em fazê-lo com os seus parceiros. Positivo.

Por outro lado, se ao habitual “hoje não querido, dói-me a cabeça“  adicionarmos o “só mais cinco minutos, estou quase a bater o record de conversa sobre a relação e a passar de nível“, o que é que sobre para os machos acompanhantes? Muito negativo.

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Lei da Conservação da Treta

Agosto 21, 2006

Está aberta mais uma caça aos curiosos. Desta vez não promete o fim do aquecimento global, mas também. Promete, isso sim, energia infinita, um sistema com eficiência superior a 100%, ou seja, que produz mais do que oque consome.

Promete energia limpa, constante e grátis. Estranho é que isto seja publicitado por uma empresa com CEO e Director de Marketing. Tanto quanto sei, um director de marketing é necessário quando se querem colocar e vender produtos no mercado… mas isso pode também já ter mudado e eu não ter sido avisado.
É o fim de uma das imutáveis leis da física, ou melhor, a usa transformação. A Treta não se perde nem se cria, apenas vai sendo contada de formas cada vez mais criativas.

Resta-me esperar e entretanto tenho que deixar o telemóvel a carrgar para amanhã poder falar da boa nova a todos os meus amigos.