Lembrei-me do tempo em que se ouvia com bastante frequência nos noticiários a palavra “beligerante”. Senti saudades, não da beligerância, que não era maior noutros tempos que é agora, mas do jornalismo que ensinava termos como este.
E na sequência deste saudosismo irrelevante, ocorreu-me, a ler as notícias mais recentes sobre os furações/tornados/tempestades que começam a assolar os lugares do costume, que nunca se irà enfrentar o problema das alterações climáticas que estão concerteza a causá-las(os), a dar-lhes nomes comuns de homens e mulheres. Eu lá vou agora combater as causas de uma coisa chamada Ernesto ou El Niño, ou Margarida? Claro que não. Como as pessoas comuns, vizinhos, colegas de trabalho com esses e outros nomes, a natureza também tem direito a humores, que devemos aguentar com grande estoicismo e enquanto esperamos que passem.
A única forma de as grandes potências ocidentais enfrentarem o problema das alterações climáticas e acabarem de vez com as suas causas antes que as consequências acabem connosco, é introduzir o factor “beligerante” no assunto. Eu explico.
Sem beliscar os princípios de atribuição de nomes instituído desde o século passado, mas adicionando uma sétima lista, proponho, a título de exemplo, as seguintes alterações:
- de Ernesto para Bin-Laden (este teria um efeito psicológico de bónus… já estão a imaginar os americanos a dizerem finalmente, “we’ve got him“, mesmo que se estivessem a referir apenas ao furacão);
- de Andrew para Saddam Hussein (Andrew foi o furacão que mais caro custou aos EUA e, por isso, o seu nome foi retirado dos nomes de furacões);
- de Katrina para al-Qaeda;
- de El Niño para Ahmadinejad;
- de Victor para Kim Jong-Il;
- etc, etc.
Estariam assim, finalmente, reunidas as condições para uma guerra preemptiva generalizada às causas das alterações climáticas e às suas previsivelmentes dramáticas consequências para todos nós enquanto espécie. É só uma ideia para a reentré política.


