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Liderança, inteligência e astúcia: teorias

Agosto 1, 2006

Desenvolvi nos últimos anos uma obsessão incontrolável sobre o que distingue os que fazem dos que mandam e como se passa de um lado para o outro. É bom esclarecer que não acredito numa divisão clara em dois universos separados totalmente: os que só fazem e os que só mandam. Pelo menos não acredito que exista um grupo que só manda, já que até esses devem ter que fazer alguma coisa.

Como qualquer percurso evolutivo normal, os que correm normalmente pelo menos, começa-se por só fazer o que nos mandam; depois faz-se o que nos mandam e manda-se fazer o que nos mandam mandar fazer; e assim sucessivamente até ao ponto em que, eventualmente, escolhe-se o que se quer fazer e manda-se fazer tudo o resto. Vai-se escalando na pirâmide, desde as posições de seguidor até às posições de liderança.

A minha obsessão tem a ver com isto mesmo: quais são as características especiais dos que fazem esta escalada até mais alto e de forma mais rápida? Uma infinidade de circunstâncias certamente, geográficas, temporais, estruturais, conjunturais, sorte, azar, isto e aquilo. Esta seria a resposta certa, não fosse pela obsessiva insatisfação que transpira. A observação atenta levou-me a reduzir esta infinidade de motivos maioritariamente subjectivos e, por isso, indutores do erro e causadores de estagnação, a apenas três: liderança, inteligência e astúcia.

Uma liderança protectora, não no sentido desculpabilizador mas de encorajador e, fundamentalmente, selectivo na distribuição das melhores oportunidades, é um factor muito importante, talvez o mais determinante. A nova oração “As oportunidades somos nós que as fazemos” do catolicismo do Sucesso é apenas poeira para os que esquecem os óculos em casa. É porém evidente, que o seguidor tem também que manifestar a vontade de aproveitar estas oportunidades e a determinação para ser bem sucedido num número razoável delas.

Uma das características que qualquer líder tem é a astúcia, a capacidade para o estratagema, a sagacidade, a manha. Existem uns quantos que até acumulam esta característica com uma outra muito importante, mas não fundamental: a inteligência. O que noto na maioria dos líderes é que tendem a proteger e promover aqueles que demonstram essa mesma astúcia em detrimento da inteligência, o que me leva a crer que é esta a chave para o sucesso. Já alguém mais sábio do que eu disse que raramente um líder escolhe um seguidor inteligente para promover. Pelo menos suficientemente inteligente que possa ousar ter melhores ideias que o líder e até, delírio extremo, pensar que pode substituí-lo. Para que considera esta uma acusaçãoforte e até rancorosa de alguém que se considerava inteligente e pouco astuto e pagou por isso, não deve esquecer que a selecção dos protegidos pelo critério mencionado pode ser feita, não de caso pensado, mas de forma insconsciente, por instinto de sobrevivência, afinal uma coisa que todos temos e é apenas justo considerar que os líderes também possuem.

Disto tudo cheguei a uma solução para os que ainda procuram o caminho para o cume branco: decidi ir ao diccionário procurar a inteligência. A definição, é claro. E entre as várias apresentadas, há duas que representam uma verdadeira oportunidade, esta sim que eu acabo de criar a partir do nada. Dizem o seguinte: “inteligência, s.f., faculdade que tem o espírito de pensar, conceber, compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações”. Fica então muito simples para todos os que não sejam naturalmente providos de grande astúcia: é pegar na inteligência que lhes foi distribuída, sem discutir se foi muita ou pouca, se foi justa ou injusta, usá-la para a camuflar e, ao mesmo, tempo desenvolver a astúcia e demonstrá-la a quem lidera.

Aviso de Segurança: Esta é uma teoria que resulta da mente obsessiva de alguém que, por eventualmente não ter a inteligência para aceitar respostas fáceis, desenvolveu uma astúcia especial para manipular e tentar liderar as opiniões dos outros no sentido de os convencer de que não há simplesmente coisas más que acontecem a boas pessoas e pessoas más aconteceu que acontecem a coisas boas. Não digam que não foram avisados!

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3 comentários

  1. Se não acredita na separação total entre os que só mandam e nada fazem e os outros que fazem , produzem , resolvem problemas, conseguem fazer funcionar o infucionavel ,e conseguem não ouvir os mandões,então é porque nunca esteve a trabalhar num hospital.Verdade , verdadinha ,mesmo com todos os males que existem no sistema , os hospitais funcionam e conseguem tratar dos doentes com um numero reduzido de gente.Os tais que fazem …trabalham….
    Nas criticas depois apanham todos pela mesma bitola .Mas tb não incomoda isso , talvez incomode que ao fim do mês os vencimentos sejam iguais…ou melhor actualmente quem consegue passar para o lado dos que mandam ganha mais:)))OU:((((


  2. Viva annie hall. Antes de mais obrigado por ler e por comentar.
    Talvez a minha frase não esteja tão clara como a ideia que pretendia passar: o que queria dizer é que não acredito que haja realmente gente que só manda.
    Sobre os hospitais confesso, realmente pouco sei, apenas que se espera bastante nas urgências. Mas isto é do lado de quem vai. Não me é difícil de todo acreditar que do lado de lá todos fazem mais do que podem para compensar a falta de mais uns que fazem que uns que mandam consideram que não são necessários. Bem haja a quem continua a manter o sistema de saúde a funcionar com todas as dificuldades que são conhecidas.


  3. Os que mandam e os que obedecem. Sempre haverão. Independente de ideologias, crenças, aptidões, raças e o que mais quizerem. Desde que o mundo é mundo alguém manda e outro obedece. Não reconhecer isso equivale a não desprender os olhos do próprio umbigo. A sociedade é formada por pessoas. Nações são formadas por pessoas. Mas o mando e o poder pertencem a um pequeno e seleto grupo. E cada um de nós tem suas atribuições quer queiramos ou não. Éssa mentira grosseira de que somos todos iguais não convence mais ninguém a não ser ao Criador, e mesmo assim só para àqueles que acreditam Nele. É impossivel himaginar a Rainha da Inglaterra limpando latrinas assim como os limpadores de latrina sentados ao trono. Nem em sonhos é possível. Tenho certeza que serão acordados em meio ao mesmo por um frio percorrendo a espinha de cima a baixo. A unica possibilidade desta estapafurdia ilusão é acalentada pelas religiões, onde os desabrigados da sorte procuram refugio na esperança que nunca morre de pelo menos um dia alcançarem os céus. Muito do pensamento dos grandes filósofos e pensadores, só resistem a realidade dominante nos bancos escolares onde se engole todo o tipo de asneira. Todo mundo sabe que um pensamento somente vale e vinga de acordo com quem o emite. Estamos em terra de ninguém ou melhor dizendo estamos no quintal daqueles que mandam e emitem seus pensamentos. O resto, como diria, é o resto.



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