Arquivo de Setembro, 2006

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Nós, gestores de culpa e de ócio

Setembro 30, 2006

Li há algum tempo atrás, um famoso relatório elaborado por académicos da Universidade de Aberdeen (se não me falha a memória) que procurava, basicamente, estabelecer o perfil dos gestores cá do burgo. E como é que se propuseram fazê-lo? Nada mais nada menos do que entrevistando gestores estrangeiros a trabalhar há vários anos em Portugal.

Não é que devamos acreditar em tudo o que os estrangeiros dizem sobre nós só porque são estrangeiros e nós adoramos dizer mal e concordar com quem diz mal. Mas os pontos focados nas principais conclusões não podem deixar ninguém indiferente. Pelo menos ninguém que dedique algum tempo à observação do que o rodei e a alguma reflexão sobre o tema.

As principais conclusões do dito estudo sobre os gestores portugueses eram as seguintes:

  • são vaidosos, gostam de títulos e de exibir sinais exteriores de poder;
  • são extremamente individualistas e não trabalham em equipa;
  • são extraordinariamente capazes de resolver os problemas mais complexos e de sair bem das situações mais desesperadas;
  • são óptimos no improviso.

A primeira destas conclusões é discutível no sentido em que não acredito que o sejam mais ou menos do que os de qualquer outro país do mundo. Sobre a segunda não me ocorre um contraditório credível. São-no realmente, apesar de passarem o tempo a dizer o contrário e pretensamente a tentarem instigar esse espírito nos seus colaboradores. No entanto, não me parece que seja motivo suficientemente forte para definir um mau gestor.

Os terceiro e quarto pontos parecem inapropriados para figurar uma lista de “pontos negativos”. E são, de facto, quando apresentados da forma isolada. E aqui é que vem o que considero ser a grande revelação, para mim pelo menos, é claro, deste estudo:

  • são “especialistas” a criar situações complexas e problemas virtualmente irresolúveis simplesmente porque não possuem capacidade de ver um pouco à frente, de antecipar;
  • são completamente aversos a qualquer tipo de preparação, de planeamento e análise prévia das situações e dos riscos nelas envolvidos.

Não é necessário ser profundamente humilde para perceber que não existe nada mais ao centro do alvo do que a ponta da flecha destas afirmações. Basta ser um pouco inteligente e observador.  Isto não é má língua nem solidariedade com a má língua dos outros. É apenas uma oportunidade de mudar com base na observação dos que estão mais afastados do nosso problema que nós. Afastadas o suficiente para o perceberem e definirem com uma simplicidade embaraçosa.

Voltei a lembrar-me deste estudo por ter lido recentemente no Arrastão sobre a atitude incompreensível dos nossos empresários e que, goste-se ou não, acaba por deslizar pela pirâmide abaixo como exemplo negativo.  Não é nova esta atitude e não tomei contacto com ela só agora, infelizmente. Há uns meses na SIC Notícias, o sr. Van Zeller dizia que não se podia estar à espera que os empresários portugueses corressem riscos.

Porque todos nós somos gestores de uma forma ou de outra, parece-me importante ter uma atitude mais activa na construção de soluções em vez da perseguição incessante de desculpas para a inércia e da atribuição de culpas a  terceiros (invariavelmente o Estado).

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Objectivo: agora quero mesmo

Setembro 29, 2006

Crystallize your goals. Make a plan for achieving them and set yourself a deadline. Then, with supreme confidence, determination and disregard for obstacles and other people’s criticisms, carry out your plan.Paul J. Meyer

Já o disse e reforço, que não acredito que as oportunidades somos nós que as criamos. Pelo menos não todas. O que é verdade sim, é que temos a obrigação de as perceber e aproveitar no momento certo.

Durante algum tempo não acreditei que, após duas semanas semanas como as últimas, fosse capaz de escrever isto com toda a convicção e sem qualquer reserva. Mas o facto é que no meu caminho para o futuro foi  desbravado mais algum terreno e, apesar do cansaço e desgaste provocados no processo, valeu e vai valer a pena. Não disse não em nenhum momento, aceitei dar passos em frente em aspectos que me são historicamente desconfortáveis. Não foram grandes passos, mas o que implicaram em mudança de atitude representa um salto quântico.

Apesar do atraso, continuo inabalavelmente determinado.

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Navegação correctiva

Setembro 21, 2006

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Quando se trabalha em equipa há, fundamentalmente, dois aspectos a ter em conta: manter todos os elementos focados no destino e com o moral elevado. Tudo o resto decorre naturalmente daí. Seja a solidariedade entre a equipa, a cooperação ou a motivação.

Uma das grandes responsabilidades de um líder, ou de qualquer elemento mais senior, para garantir a manutenção destas condições, é gerir as suas intervenções junto dos elementos da equipa. E refiro-me, claro está, às intervenções de “cobrança”.

Constatei nestes dias duas regras muito importantes para abordar esta gestão de forma eficaz: não intervir demasiado e não deixar ninguém fazer muito trabalho sem avaliações periódicas. A primeira é bastante evidente, pretende evitar o clássico problema da micro-gestão, perguntar agora “então?” para saber se houve evolução em relação à última pergunta de há 5 minutos atrás. Causa nervosismo, suspeição de desconfiança no trabalho e não contribui para o seu avanço.

A segunda regra é mais subtil e, ao contrário da primeira, muito mais difícil de implementar: não é possível adivinhar o momento certo ou o momento mais próximo do certo para efectuar a avaliação junto do elemento da equipa. Porque ninguém tem bolas de cristal e os génios são, geralmente artistas ou cientistas que não trabalham em equipa, a melhor forma de conseguir esta “capacidade visionária” é pela comunicação e estabelecimento de compromissos entre os dois, baseados em estimativas discutidas e acordadas na avaliação anterior.

Assim consegue-se algo mais importante ainda do que uma boa equipa: consegue-se o cumprimento de objectivos individuais e colectivos e o desenvolvimento de pessoas capazes de ultrapassar qualquer obstáculo e levar outras pessoas noutras equipas a cumprirem novas e cada vez mais exigentes metas.

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E está mesmo aí

Setembro 17, 2006

Esta semana vou-me dedicar ao futuro com grande afinco e determinação. Espero alcançar os objectivos que estabeleci há quatro anos atrás e que, por circunstância cósmicas inesperadas, tardam em se cumprir. Mas o momento é agora e só é preciso dedicar o tempo e o trabalho para fazer as coisas aconterem.

Citando alguém que respeito muito apetece-me dizer que “o futuro é brilhante”.

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Futebol + boa gestão = utilidade pública

Setembro 13, 2006

Achei muito estranho ontem quando vi o resumos do jogo do Barcelona para a Liga dos Campeões: a camisola do clube catalão, orgulhoso da sua história de 107 anos, parecia ter sido pela primeira vez “conspurcada”. Na verdade, e para os menos atentos a estas pequenas histórias do futebol, o Barcelona é, provavelmente, o único clube profissional do mundo que nunca vendeu espaço publicitário na sua camisola. E estamos a falar de decisões que impedem a entrada nos cofres de, actualmente, cerca de €18 milhões anuais. É uma questão de convicção e, não menos importante, de boa gestão, que permite fazer vista grossa a tão choruda quantia.

Olhei melhor para as ditas imagens e o espanto transformou-se em incredulidade. Não só a camisola tinha finalmente sido “conspurcada”, como o nome e logo que apareciam eram, nem mais nem menos, que os da… UNICEF!
É nesta altura que se desconfia que a bebida que temos na mão pode estar contaminada com algum produto estranho.

Perante tão insólita situação, fui averiguar o que se estaria a passar neste cada vez mais aparente, universo paralelo. A resposta apareceu aqui. Digno de nota.

É claro que já estou a imaginar os maledicentes a conjecturar sobre as reais intenções do presidente do Barça… afinal, esta seria uma boa forma de “abrir a porta” para num futuro próximo poder passar a vender a camisola. Concerteza que sim, mas nos próximos 5 anos, cerca de €7,5 milhões serão aplicados a ajudar a quem mais precisa, graças a esta iniciativa.

Nota de rodapé: no extremo oposto, temos os jovens atletas do Gil Vicente acampados à porta do estádio do seu clube, em protesto por se verem impedidos de participarem em competições dos campeonatos nacionais. Tudo devido a uma inscrição errada de um jogador, feita contra os regulamentos mais do que conhecidos, e à posterior incúria das instituições desportivas que foram para banhos adiando a resolução do caso para quando as suas consequências já assumiam proporções teatrais.

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Valentim… Fiúza… quem?

Setembro 12, 2006

Depois de assistir à segunda metade do jogo de hoje para a Liga dos Campeões entre Sporting e Inter de Milão, só posso dizer uma coisa: Spoooooooooooooooooooooooorrrrting! Magnífico futebol, jogado por uma equipa jovem, constituída por vários jovens formados em Alvalade e orientados por um técnico que dá cada  vez passos mais seguros no caminho de uma carreira interessante.

Quero aproveitar para desejar a melhor das fortunas para amanhã quando FCP e SLB começarem a sua participação nesta competição e também às restantes equipas a jogar a Taça UEFA.

Mas o principal motivo subjacente a este post é, mais uma vez, realçar o futebol jogado dentro do campo pelas nossas equipas e a sua qualidade crescente e, num plano mais geral, para aquilo que podemos fazer de bom quando nos propomos a isso, seja qual for o sector de actividade. Pode não ser tão fácil, mas é certamente mais enriquecedor do que as floribelas e os morangos com açucar protagonizados por uma classe de “estrelas” a actuar nas margens da sociedade, agarradas para seu exclusivo proveito, àquilo que de bom se vai construindo em diversas áreas, arrastando-o para os limites inferiores do vulgar.

É nossa responsabilidade eliminarmos esses maus exemplos de cidadania, deixando-os a falar sozinhos. Podemos começar por desligar a TV e a rádio sempre que começam a falar em público. Talvez assim outros desistam de lhe apontar câmaras e microfones a cada momento que queiram mandar um recado a alguém ou lavar roupa suja na praça pública.

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Prémio “O exemplo vem de cima”

Setembro 12, 2006

A juntar ao Prémio “Atitude”: para o nosso Ministro da Economia Manuel Pinho. Imparável!

Resta apurar se pagou a coima? Se ficou com a carta apreendida? Se era ele que ía a conduzir? Quanto à justificação avançada pela GNR, para deixar seguir o nosso ministro, a de que as figuras públicas não fogem, não poderia estar mais de acordo. Afinal estas pessoas têm coisas muito importantes para fazer e levam uma vida demasiado stressante para estarem a ser incomodadas com detalhes prosaicos. Fugir não fogem, mas é sabido que podem afastar-se temporariamente para o Brasil para descansar durante algum tempo. Mas eventualmente acontecem umas eleições e o dever de serviço fala mais alto e acabam por regressar.

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11 de Setembro: apenas mais um dia

Setembro 11, 2006

Gostaria de evocar a data de hoje com a constatação de que as vidas dos perto de 3000 inocentes que morreram há 5 anos resultado de um acto bárbaro e de todos os que, independentemente da religião que profeçam, hemisfério de nascença ou da côr da pele, tenham sido e continuem a ser vítimas do pior de que a capacidade humana consegue produzir, repito, gostaria de constatar que tudo isso não foi em vão, que serviu para alguma coisa, que foi o alicerce para algo melhor.

À pergunta mais recorrente por estes dias, se vivemos num mundmais seguro, este que dizem ter aparecido depois do 11 de Setembro de 2001, eu respondo, sem grandes hesitações, não.

Bin-Laden continua vivo, Bush continua a ser o líder do “mundo livre”, o Iraque continua a não ter ligações com o terrorismo da al-Qaeda nem armas de destruição massiva, apesar de estar a ser destruído e a destruir massivamente. A Europa continua a não ter posição activa no xadrez internacional. Os chamados “fundamentalistas islâmicos”, supostos causadores de todo o mal, conseguem actualmente recrutar crentes que até agora, provavelmente, nunca teriam pensado em se tornar radicais, mas que, ao serem misturados na etiquetagem cega feita pelos propagandistas do medo, acabam por considerar que não lhes resta outra alternativa.

Não, não me sinto mais seguro. Sim, todas as vítimas de actos bárbaros de terrorismo perpetrados por qualquer tipo de fundamentalismo, em nome qualquer deus, espiritual ou material, infelizmente, sofrem e morrem em vão.
Lembremo-nos delas, não apenas num minuto de silêncio marcado para o efeito num dia em particular, mas todos os dias, nas nossas decisões e acções quotidianas, quando faz realmente a diferença.

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Desgaste do nervo óptico

Setembro 10, 2006

Não sei porque motivo, mas fui tomado por uma tristeza profunda durante o dia de hoje. Um vazio inexplicável, uma sensação de falta. Por mero acaso, acabei por encontrar umas fotos da Monica Bellucci. E daí até ao YouTube, passando pelo IMDB, foi um click.

É preciso mais beleza nas nossas vidas. Pode ser na forma de Monica Bellucci, pode ser na forma da expressão de uma criança ao acordar depois de longo sono, pode mesmo ser na forma de um passeio na serra aqui mesmo ao lado e de que ninguém parece ter o hábito de desfrutar. Vou dormir mais descansado. Decidi que não quero gastar mais tempo de retina com a mediocridade da realidade que me é apresentada constantemente. O nervo óptico descansa e o cérebro não desperdiça espaço valioso que pode ser usado para guardar apenas o que é belo ou, de alguma forma, entendido como tal.

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XXV Membros

Setembro 9, 2006

“Estados-membro”… estava a ler os títulos do dia, na revista de imprensa que faço habitualmente, não pelo interesse das notícias, mas pelo interesse que poderiam ter as notícias associadas a esses títulos.

E lá estava, “estados-membro”, incluído no título de uma notícia relacionada com a União Europeia. Fez-me lembrar que realmente, nesta Europa, nós somos cada vez mais um membro a definhar, a perder… a rigidez, a dureza que nos caracterizou noutros tempos, constantemente a ser ultrapassado pelos membros do “alargamento”.

Não sei porque é que está toda a gente parada, sem tomar medidas, e a persistir no disparate de que todos os membros são iguais, e que o tamanho não interessa, o que interessa é como se usa.

Vamos lá malta, hoje em dia já há soluções para tudo, não há que ter vergonha. O que precisamos é de uma qualquer pílula que levante o moral, que o mantenha alto durante mais do que o tempo de um campeonato europeu ou mundial de futebol. Já ouvi falar de umas azuis…