Arquivo de Dezembro, 2006

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Darwinismo turístico

Dezembro 17, 2006

É bonito ver como já se está a lidar com aquela que devia ser uma das grandes preocupações do momento. Pelo menos os hoteleiros da neve já estão a pensar no assunto e já arranjaram formas de se adaptarem às novas realidades que se avizinham consequentes do descalabro do clima.

Ainda não conheço os planos dos operadores da costa portuguesa para lidar com estas catástrofes em favor do negócio, mas há aqui boas práticas para aprender. Não sei, mas que tal fomentar a formação de surf e de windsurf radical? Ouvi falar em ondas de mais de 7m de altura na Caparica. A grande preocupação são as infra-estruturas móveis que vão ser necessárias, porque isto hoje é na Costa da Caparica, mas para o ano que vem já pode ser em Vila Franca de Xira.

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Progresso e declínio

Dezembro 17, 2006

E assim vai desaparecendo a vida deste planeta para ser substituída por este frenesim de devastação pelo qual somos responsáveis. Vamos ver até quando.

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Romântico incurável

Dezembro 16, 2006

Muito se tem falado do polémico livro de Carolina Salgado. Muito se tem comentado sobre os casos da vida privada descritos. Mais ainda se tem falado e, espero eu, se irá continuar a falar sobre os casos da vida pública, também dela, mas do Jorge Nuno e do seu alegado envolvimento em histórias flatulentas, perdão, cabeludas, verdadeiros casos de polícia.

De acordo com alguns trechos que fui lendo aqui e ali, parece-me, no entanto, que esta obra (como insistem os Gato Fedorento em chamá-la), terá começado por ser um conto de fadas. Percebe-se o caminho tortuoso que a coisa seguiu quando, por exemplo,  Miguel Sousa Tavares escreve que Pinto da Costa, esse semi-deus azul e branco nortenho, se deveria demitir da presidência do FCP. Ou quando se vai à prateleira dourada buscar Maria José Morgado para retomar o caso Apito… Dourado.

E eu que tinha tanta esperança em saber o que terá acontecido ao pijama azul, compostinho, com os elefantes pequeninos.

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Usufruindo do caminho, sempre!

Dezembro 13, 2006

Go as far as you can see; when you get there you’ll be able to see farther

Thomas Carlyle 

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Identificar o positivo e aproveitar

Dezembro 10, 2006

Em geral, as pessoas são simpáticas, educadas e prestáveis na cidade do Amstel. O pessoal do hotel é-o ainda mais, bem para além das imposições do negócio. No entanto, dada a minha fraca aptidão social matinal, há simpatias que são excessivas.

Depois de ter conseguido, de forma educada, não estar muito tempo à conversa com a empregada que nos serve o pequeno-almoço, eis que aparece uma outra hóspede que desata em longa e colorida conversação com a simpática Lila. Pareceu-me que a hóspede era alemã e a conversa desenrolou-se toda em holandês, ou alemão ou algum cruzamento terrível entre as duas línguas. Enfim, nada de muito estimulante do ponto de vista auditivo para aquela hora do dia.

Perturbado pelo facto de a refeição mais importante do dia, e ainda mais importante no dia de um viajante, estar a ser acompanhada por tão desagradável banda sonora, ocorreu-me que poderia ser muito pior: elas poderiam ser espanholas!

Fiquei de imediato mais aliviado, resolvi pedir mais um croissant quentinho e tentar perceber de que é ques estavam a falar.

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Mulheres e latitudes

Dezembro 9, 2006

As mulheres em Amsterdam são inquestionavelmente bonitas. Bonitas e altas. Mesmo apesar de passarem boa parte do tempo com o cabelo à chuva e a cara expoxta ao rigor do frio e do vento, não encontrei indícios de serem viciadas em salões de beleza, contrastando com as mulheres de outras latitudes, também inquestionavelmente bonitas, mas que alimentam uma indústria de cuidados suplementares de dimensão substancial.

Em qualquer dos casos, o resultados é que contam, e ambos os resultados são bons.

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Bicicletas em Amsterdam

Dezembro 9, 2006

São muitas. São veículo prioritário. Têem direito a estacionamentos com 2 pisos perto da Centraal Station, e áreas reservadas em todo o lado. Têem direito a uma rede viária própria. São incrivelmente antiquadas. Não têem mudanças nem suspensões nem outro tipo de gadgets a que estamos habituados. Têem vários cadeados. São caras, pelo padrão português. Muitas estão abandonadas.

Não há nada que detenha os nativos de circularem nas suas amigas de duas rodas: trânsito, peões, eléctricos, autocarros, absolutamente nada. E porquê? porque cada um destes  elementos tem o seu lugar devidamente assinalado e reservado na via pública.A chuva e o frio, não estando regulamentados, também não constituem impedimento. Com temperaturas na ordem dos 6º, 7ºC, mais de 95% dos ciclcistas andam sem luvas. E uma percentagem assinalável das mulheres, andam de saia. Brrrrrrrrrr.

Da próxima vez que lá for proponho ao meu pai levar as duas “pasteleiras” do tempo do pai dele que estão lá a coleccionar pó na garagem. Pelo que consegui observar nas lojas e oficinas de usadas, não seria complicado conseguir vendê-las por 100€… cada uma!

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Observações aleatórias de Amsterdam

Dezembro 8, 2006

O que é que chega duas horas atrasado a Amsterdam e sai três horas atrasado? O voo da TAP!

É muito mais fácil comprar sexo e droga do que o eléctrico passar no horário certo.

É muito mais fácil o eléctrico passar no horário certo do que encontrar um posto ou um marco dos correios.

É muito mais fácil encontrar um posto dos correios do que uma casa de banho pública.

O que não há em Amsterdam? Starbucks Coffee. O que quase não há em Amsterdam? McDonalds.

O que há imenso em Amsterdam? Restaurantes de cozinha internacional, de norte a sul, de este a oeste do globo.

Canais, pontes, bicicletas, sinais da cerveja Heineken e t-shirts do Red Light District: não há noção!

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Ignorância geográfica e resistência à comunicação

Dezembro 8, 2006

À chegada ao aeroporto de Schiphol, pergunto ao homem à porta do comboio, no meu melhor inglês:

- É este o comboio para a Central Station?

- Qual? – pergunta ele sem hesitar. Fico a pensar que a coisa começa bem. Ainda mal aterrei e já tenho um engraçadinho à minha frente. Repito:

- A Central Station!

- Qual? – assim, sem alterações, sem hesitações, sem a menor inclinação para ser um pouco prestável com alguém que até se deu ao trabalho de gastar uns euros para vsitar o país dele. Resolvi alinhar na parvoíce:

- Amsterdam!

- Sim, é este comboio.

É claro que dois dias depois, quando decidi alargar horizontes além de Amsterdam, percebi a “piada”: Central Station está para uma cidade holandesa como café central para uma qualquer vila ou aldeia do interior de Portugal. E há várias acessíveis de Schiphol a curta distância: Roterdam, Den Haag (Haia) e por aí fora.

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São os saldos de Natal, estúpido

Dezembro 7, 2006

Nas ruas de Amsterdam encontram-se coisas peculiares. Nas ruas do Red Light District encontram-se coisas impossíveis de adjectivar.

Sendo o bairro em que se vêem menos bicicletas (as ruas e as pontes são estreitas e concorridas por pedestres), é seguramente o bairro em que se vêem mais camiões e tractores velhos durante o dia, e bastantes aviões e porta-aviões durante a noite.

Numa dessas noites um homem na rua pára em frente a montra com conteúdo interessante. Lá de dentro, entre outras coisas, é-lhe mostrada uma mão com os cinco dedos esticados. Pergunta incrédulo, em inglês: “Quinhentos? Quinhentos ou cinco mil?”. A porta abre-se e o entusiasmo da surpresa faz-se sentir: “Cinquenta? Só cinquenta? Oooohhh… uaaauuu”. Não consegui acompanhar o desenlace da história de amor porque já estava a atropelar pessoas de um dos vários grupos que estacionavam nas margens do canal a assistir ao espectáculo promovido gratuitamente por um inglês nú da cintura para baixo. Ao contrário do que se possa pensar, a única coisa que tinha na mão era uma lata de cerveja. Não faço ideia onde terão ido parar as calças.