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A única opção é continuar a viver

Agosto 10, 2006

Estamos a viver mais um daqueles dias mágicos em que a temperatura soltou todas as toxinas para a atmosfera e ficou tudo ainda mais doido.

No Líbano continua a guerra entre Israel e o… errr, Hezbollah. Israel todos os dias promete estar a acabar com os terroristas. Os rockets dos terroristas cada vez chovem mais em Israel.

Em Londres, foi desmantelada uma enorme teia terrorista que iría fazer embarcar pessoas transportando explosivos líquidos, cuja mistura seria feita em voo, para então serem detonados na aproximação às cidades americanas de destino, para provocar morte de quem neles viajava e de mais aqueles que fossem apanhados na rota de pouso dos aparelhos. Só não sepercebe muito bem porque foi dito às pessoas para esvaziarem todos os líquidos que transportavam em enormes recipientes… no meio dos aeroportos. A ideia seria talvez, evitar danificar os aviões, que são coisa cara. Não se percebe, ou eu não percebo, como, por um lado as autoridades parecem estar cada vez mais em cima do acontecimento na prevenção deste tipo de conspirações, como tem vindo a ser dado conta desde o 11 de Setembro, mas por outro, que se cometam “deslizes” tão incompreensíveis como este no meio de uma situação de crise.

Em São Paulo, permanece o estado de “guerra” urbana que condiciona a actividade e a vida de mais de 10 milhões de pessoas. Agora fala-se em intervençãao do exército, mas talvez não porque pode ser aproveitada politicamente no jogo das eleições presidenciais que se avizinha. E com isto, um bando de marginais por um lado, e um bando de políticos apenas preocupados com o poder, vão determinando como e quando é que milhões de paulistanos vão poder fazer a sua vida sem restrições.

Em Portugal… bom, em Portugal é Agosto (nos outros países também, mas aqui isto tem um significado próprio) e neste mês o que temos é quase o que os adeptos portistas costumam ir gritar para a Av. dos Aliados em dia de conquista de título pelo FCP. O que temos é Portugal a arder, e não apenas Lisboa, como é recorrentemente manifestada, a vontade dos adeptos do dito clube do bairro das Antas.

Quando me perguntavam há pouco o que é que eu achava de todos estes acontecimentos, de como é que isto era possível, em particular a história dos putativos ataques terroristas, a única coisa que me ocorreu foi dizer que provavelmente vai ser favorável comprar acções de companhias de aviação e comprar férias para o norte da américa ou para Londres. “Credo, como é que podes ser tão insensível, não estás assustado com todas estas coisas a acontecerem?”

Em 2001 fiquei agoniado quando vi as torres gémeas do World Trade Center cederem ao engenho da mente humana no seu pior momento. Tive vontade chorar sempre que revi as imagens, o que fiz vezes sem conta, simplesmente para tentar perceber o tamanho do acontecimento. No ano passado, quando visitei a cidade e o local pela primeira vez, o impacto foi quase igual. Foi possível rever mentalmente todas as imagens de novo, desta vez a partir do local em que foram filmadas muits delas, em particular a do vídeo amador que fimou o choque do primeiro avião contra a torre norte. Fiquei paralisado quando me vi no local exacto do acontecimento.

Mas já há muito que passou o momento de compreender o que ficou “escrito” numa linguagem universal: a partir desse dia nada ficaria como dantes. Vai acontecer de novo, mais cedo ou mais tarde e em parte incerta. Não se pode evitar estar lá nesse momento se for esse o resultado da convergência de todas as nossas decisões e acções.

Não sou insensível e muito menos imune ao terror, mas o medo paralisa.

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